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Manejo Preservacionista do Açaí

Do açaizeiro, aproveita-se tudo: as folhas são usadas como coberturas de casas (iapás), forro de cestas, adubo e ração animal. As fibras, para fazer esteiras, chapéus, sacolas, rasas e paneiros - cestas usadas como medida em atividades extrativistas na Amazônia. O estipe, do qual se extraem toras (puxiúbas) duráveis, resistentes à doenças, também é aproveitado como lenha ou na construção de casebres, trapiches e pontes. Com as inflorescências, os caboclos fazem vassouras (depois do "debuio", o esbagoamento do cacho); com as raízes, remédios para combater hemorragia ou verminose; e, com os frutos, fabricam medicamentos, álcool e adubo, além do "vinho".

Mesmo com tantos predicados, a planta quase desapareceu nos anos 70, devido à exploração predatória de palmito, alimento formado pelas folhas internas mais jovens que ainda não brotaram do caule. Na época, centenas de empresas instalaram-se na região, atraídas pela abundância de palmeiras, facilidades fiscais e lucro rápido. Elas não se preocupavam com a recomposição das árvores abatidas e, para obter 1 quilo do produto, derrubavam quatro árvores, ameaçando repetir no Norte o que fizeram no Sudeste, onde o palmito juçara (Euterpe edulis) e outras espécies comestíveis foram praticamente extintas. Cortavam áreas inteiras pelo pé (corte raso) ou no alto, para retirar o gomo, destruindo a palmeira e desprezando os frutos. Só deram atenção às práticas preservacionistas quando a planta começou a rarear.

Os caboclos já tinham notado que, quanto mais a palmeira cresce, mais energia gasta para ganhar altura, prejudicando a frutificação. Intuitivamente, descobriram que, com a rebrotação, ela crescia com mais vigor, gerando frutos maiores, em menos tempo.Nos últimos anos, os palmiteiros passaram a adotar poda seletiva e outras técnicas de manejo, embora muitas empresas ainda explorem açaizais de forma clandestina e predatória, sem nenhum tipo de controle sanitário. De maneira geral, os plantios racionais ainda não chegam a 6 mil hectares no Pará, segundo cálculos da Embrapa Amazônia Oriental, sediada em Belém. "O palmito é a poda da frutífera açaí", observa Carlos Roberto Rodrigues, diretor da Muaná. No total, a empresa processa 20 mil estipes por dia, embalando-os em potes de vidro de 300 gramas. Desse volume, 80% saem com rótulos de terceiros (Carrefour, Coselli, Gilli etc.) e 20%, com a marca Muaná, comercializada em todo o território nacional.

Fonte: Revista Globo Rural. Edição 181 de Novembro de 2000



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